Mors omnia solvit (gravado sobre o aço frio de uma arma).
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
sábado, 2 de novembro de 2013
Dos Homens de Fé
Há sempre nas praças públicas os novos "mensageiros das boas-novas". Sempre vestidos como empresários mal-sucedidos, portando seus livros de capa preta e vociferando, mesmo a quem não deseja ouvir, palavras intimidadoras sobre a vinda do reino dos céus, do messias, do filho de Deus e do lago de fogo e enxofre onde aqueles que considera "profanadores da verdade" hão de ser punidos com tormentos, choro e ranger de dentes.
Na verdade, o cristão fundamentalista é, em sua essência, uma amálgama de uma série de fatores extremamente perceptivos: esquizofrênico, viciado, sadista louco e... sem fé. O que o mesmo crê ser sua prova majoritária de devoção à divindade é pura esquizofrenia e insanidade. Assim, ele refestela-se nos devaneios psicológicos perturbados de sua mente e, para enfatizar e convencer a si mesmo, a cada dez palavras, é preciso sempre emitir hosanas àquilo que acredita ser seu próprio amor a Deus.
É também um viciado. Pois o mais ferrenho dos crentes é, quase sempre, resultado de estigmas de seu passado, por vezes sombrio, psicopático e carregado de vícios e costumes ilícitos. Em vias de fato sua vontade e índole permanecem as mesmas e ele apenas substitui um vício pelo outro e mascara-se então com uma aura de benevolência e santidade a qual o mesmo não possui jamais há de possuir. E, a exemplo de qualquer outro vício, sua fé traz consigo os perigos de qualquer substância tóxica e entorpecente: para fugir da abstinência, é capaz de matar ou morrer a qualquer momento, porquanto, dependente, ele ignora o mundo real e prefere viver uma fantasia imposta por tribais que viveram há milênios. E isso une-se, é claro ao teu sadismo, uma vez que o seu maior anseio não é ver o bem daqueles que ama, e sim o mal daqueles que odeia, o "mal dos maus"; o sofrimento eterno de todo e qualquer ser que discorda de suas crenças infundadas e mesquinhas.
Não seria essa, talvez, a razão de ser do homem atual? Não seria esta a via de destruição que nos trouxe a esta era cataclísmica que os mesmos criaram para apoiar suas crenças catastrofistas e apocalípticas?
E há quem use o termo "virtuoso" para estes "homens de fé"...
Sob esse espectro, homens como Charles Manson me parecem bem mais razoáveis que esses "loucos virtuosos" de praça pública.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Escrito no Verso da Capa
Há uma translação terrestre lhe tenho a envoltar minha enfadonha existência; mas à medida cósmica que nos distancia do mais próximo dos exoplanetas corresponde minha afeição a ti dirigida.
Péssimo sou em dedicatórias ou demonstrações afetivas, sabes tu não ser este o maior dos pouquíssimos de meus fortes. Mas, se há algo que não posso me furtar a aproveitar é a oportunidade de direcionar intelectual sentimentalmente esta obra.
Péssimo sou em dedicatórias ou demonstrações afetivas, sabes tu não ser este o maior dos pouquíssimos de meus fortes. Mas, se há algo que não posso me furtar a aproveitar é a oportunidade de direcionar intelectual sentimentalmente esta obra.
Parecer-lhe-á — como ao meu jugo pareceu, outrora — um simples livro infantil, de coloridas formas e figuras; de linguagem simples e até de poucas páginas. Contudo há, nesta breve estória, uma mistura de elementos que compõem todo aquele sentimento pueril que muitos costumam abandonar frente ao "homem sério", ao humano dedicado às coisas da "vida" - embora esta "vida" seja, a muitos, mera existência, onde faz-se mister o emprego de uma maturidade plástica, calcada em terra fofa — a que todos, por simples pressão cotidiana, almejam alcançar. Peço que leia com o máximo de calma possível, no teu tempo e que, após fazê-lo, refestele-se em tuas reflexões e as mude, se lhe for cabível. Não quero com isto, é claro, lhe parecer o teu Mefistófeles, o diabo disforme e rebelde que à iconoclastia entrega Fausto e quase o leva a tragédia. Mas talvez uma tragédia, uma ruína psicossentimental (sic) seja a fagulha inicial de uma explosão colossal de novos universos a futuramente lhe rodear, como o foi a este que vos escreve.
Desta maneira, entrego-lhe esta obra. Afinal, em meio a toda esta amálgama de mundos e conceitos novos ao qual você, que a este livro recebe, me apresentou, espero também retribuir-lhe com os meus horizontes, com o pouco que talvez lhe tenha a oferecer. Deixo aqui registrado então o que talvez venha a ser a quintessência deste escrito de Antoine Saint-Exúpery e que, creio eu, calha como o mais significativo ensinamento sobre tudo o que nas palavras que lhe disse acima possa haver para encerrar esta breve dedicatória mal escrita:
"— [...] Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
— O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
— Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
— Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
— Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável
pela rosa...".
"— [...] Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
— O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
— Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
— Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
— Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável
pela rosa...".
domingo, 13 de outubro de 2013
Da puerícia, do anseio, do amor
Eu poderia escrever linhas e mais linhas e talvez jamais conseguisse descrever em uma totalidade fiel o que em meu cerne parece vociferar de maneira cortante, rasgando meu peito. Mas não, eu não consigo. Sinto-me um adolescente espinhento, bobo e inexperiente que conhece o primeiro amor.
É tudo tão familiar, porém tão estranho e de uma intensidade que jamais ousei conhecer... o que faz a mim tua companhia? O que há de especial nestes olhos que parecem me absorver, me tragar, me digerir vorazmente sem deixar-me nada quando mesmo que rapidamente fitas-me tão implacavelmente?
Ouço tua voz e ela soa como uma peça inteira de Richard Strauss resumida em apenas alguns poucos segundos ao qual dedicas-te a falar em função de tua personalidade inexoravelmente reservada, sóbria e breve.
Em tua presença sinto-me sempre como o camundongo enfeitiçado pelas mais belas notas que Hamelin jamais conseguira tocar... é como prestar os ouvidos a um bardo enquanto o mesmo recita algum conto antiquíssimo e misterioso — um mistério teu sui generis que ferozmente incitas-me a desvendar.
De algum modo, conseguiste resgatar em mim uma sensação tão abstrata e positivamente pueril que agora me comparo a um mero adolescente mesmo quando não estás por perto: em minha casa, fico contando os minutos para vê-la dar o ar de tua graça e um sorriso sincero e natural emerge em minha face, sem que sequer haja um motivo explanável; refestelo-me em mil pensamentos e todos eles hora ou outra inevitavelmente hão de retornar à tua figura, como se não houvesse outro mundo a desbravar que não o teu; lhe abraço e meu coração acelera e eu desejo nunca mais soltar-lhe, pois teu abraço ajusta-se perfeitamente ao meu, como num entrelaçamento de almas.
Adentraste meu mundo como ninguém jamais ousou ou conseguiu fazê-lo. Tua beleza, tua voz e toda a tua essência removem todos os meus medos, minhas frustrações e a todos os meus anseios revela. Tuas palavras me inspiram como se eu houvesse descoberto a quintessência da arte, da poesia e da filosofia, a panacéia do amor que a todas as chagas cura, a todas as cicatrizes faz desaparecer e dá longevidade a este sentimento tão puro e terno.
Às vezes quero em me enganar, deixar para lá, mascarar tudo como se nada houvesse em meu coração. Mas já não o consigo, esta é uma via de mão única e que não há retorno. E eu espero, daqui em diante, alcançar o meu destino. Aquele sentimento sincero, aquele laço inquebrantável a que chamam amor; uma existência regada a Black Sabbath e Los Hermanos, lembra? Ou, quem sabe, uma simples noite, deitados e abraçados noite à dentro, observando o vindouro alvorecer após sucumbirmos àqueles desejos que, sabemos, ocultam-se nos recônditos de nosso espírito e que nos torna eternamente escravos por opção.
Só peço-lhe, então, que venha comigo. Em troca, quero apenas a tua beleza, a tua presença e o teu amor. O resto, com maestria damos conta...
É tudo tão familiar, porém tão estranho e de uma intensidade que jamais ousei conhecer... o que faz a mim tua companhia? O que há de especial nestes olhos que parecem me absorver, me tragar, me digerir vorazmente sem deixar-me nada quando mesmo que rapidamente fitas-me tão implacavelmente?
Ouço tua voz e ela soa como uma peça inteira de Richard Strauss resumida em apenas alguns poucos segundos ao qual dedicas-te a falar em função de tua personalidade inexoravelmente reservada, sóbria e breve.
Em tua presença sinto-me sempre como o camundongo enfeitiçado pelas mais belas notas que Hamelin jamais conseguira tocar... é como prestar os ouvidos a um bardo enquanto o mesmo recita algum conto antiquíssimo e misterioso — um mistério teu sui generis que ferozmente incitas-me a desvendar.
De algum modo, conseguiste resgatar em mim uma sensação tão abstrata e positivamente pueril que agora me comparo a um mero adolescente mesmo quando não estás por perto: em minha casa, fico contando os minutos para vê-la dar o ar de tua graça e um sorriso sincero e natural emerge em minha face, sem que sequer haja um motivo explanável; refestelo-me em mil pensamentos e todos eles hora ou outra inevitavelmente hão de retornar à tua figura, como se não houvesse outro mundo a desbravar que não o teu; lhe abraço e meu coração acelera e eu desejo nunca mais soltar-lhe, pois teu abraço ajusta-se perfeitamente ao meu, como num entrelaçamento de almas.
Adentraste meu mundo como ninguém jamais ousou ou conseguiu fazê-lo. Tua beleza, tua voz e toda a tua essência removem todos os meus medos, minhas frustrações e a todos os meus anseios revela. Tuas palavras me inspiram como se eu houvesse descoberto a quintessência da arte, da poesia e da filosofia, a panacéia do amor que a todas as chagas cura, a todas as cicatrizes faz desaparecer e dá longevidade a este sentimento tão puro e terno.
Às vezes quero em me enganar, deixar para lá, mascarar tudo como se nada houvesse em meu coração. Mas já não o consigo, esta é uma via de mão única e que não há retorno. E eu espero, daqui em diante, alcançar o meu destino. Aquele sentimento sincero, aquele laço inquebrantável a que chamam amor; uma existência regada a Black Sabbath e Los Hermanos, lembra? Ou, quem sabe, uma simples noite, deitados e abraçados noite à dentro, observando o vindouro alvorecer após sucumbirmos àqueles desejos que, sabemos, ocultam-se nos recônditos de nosso espírito e que nos torna eternamente escravos por opção.
Só peço-lhe, então, que venha comigo. Em troca, quero apenas a tua beleza, a tua presença e o teu amor. O resto, com maestria damos conta...
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
E eu odeio...
Odeio quando preciso despedir-me de ti, ainda que saiba que no dia seguinte haverei de ver-te uma vez mais. Eu odeio ver as horas passarem mais rápidas que a luz a se propagar no vácuo quando de mim estás próxima. Odeio ver-te em prantos por razões que deveriam ser de fácil resolução, mas que infelizmente às minhas mãos deixam atadas de forma a sentir minha impotência perante o que lhe aflige. Odeio ver minhas noites se alegrarem intensa e inexoravelmente por um tempo tão precioso, contudo tão curto. Odeio aguardar em frenesi para novamente ouvir tua voz enquanto discutimos música, religião, filosoia e qualquer outra coisa que em nossos percalços sempre esparra, como se tudo conspirasse para que essa flâmula jamais se ofuscasse, enquanto lhe espezinho por teus gostos agradável e vergonhosamente semelhantes aos meus.
Eu odeio... odeio... odeio, repudio, detesto.
Mas hoje a noite há de ser, como sempre, nossa, só nossa. E eu hei de regozijar-me uma vez mais por tua companhia que a mim se faz tão dileta, por conseguir, ao menos um pouco, alguém que veja a existência do mesmo lugar que eu: a visão distante, ignorantemente racional de quem parece não pertencer a este mundo; uma visão vinda do alto.
E embora venha rapidamente a se esvairem as horas, são tuas palavras que haverei de guardar comigo enquanto em meu leito repouso; é do teu ébrio sorriso que haverei de recordar antes de finalmente adormecer; é teu abraço forte e acalentador que me acalmará pelo resto de madrugada que me resta enquanto bebo mais um gole e fumo outro cigarro, com os mais afáveis pensamentos em ti e em tua graciosa estranheza, despertados por teu toque e teu cheiro em minhas vestes estampados, fazendo de todo esse ódio um bizarro e entorpecedor prazer.
De fato, talvez essa tua loucura seja realmente semelhante à minha...
domingo, 6 de outubro de 2013
Ecos Faustianos
Está acontecendo de novo... mãos trêmulas, suando; boca seca, coração acelerado, inquietude sem razão; saudades daquilo que pode vir a ser, do futuro...
O que acontece, finjo a mim mesmo não saber, deixo sempre o mistério a me guiar. Prefiro enfiar goela abaixo apenas uma realidade criada e desestruturada, as coisas são sempre mais fáceis assim.
De qualquer maneira eu sonho; vamos sair, vamos beber juntos e, inebriados, cantar "Vila do Sossego", como frenquentemente fazemos às tardes. E se a brisa do amanhã for favorável, seremos nós, vendo as areias do tempo fluirem, juntos, você e eu. Eu em meu carinhoso escárnio a escrever "loser manos" para que ria e me ache um bobo, ouvindo teu olhar a me dizer coisas incríveis; você, tirando sarro dos meus trejeitos hostis e da minha austeridade intelectual; nós, rindo feito infantes no albor da inocência até o fim dos tempos.
"E a este sentimento, a este atroz recontro
Nomes procuro dar, nenhum jamais encontro.
Através deste mundo arrojo meus sentidos
E me apego a alguns termos altos, escolhidos;
Neste fogo intenso em que tanto me inflamo,
de Infinito, de Eterno e Sempiterno chamo.
Seria isso uma farsa, infernal, idiota?".¹
____
¹GOETHE, Johann Wolfgang von. Fausto.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
E embora não desejasse, a madrugada traz apenas o mesmo: fumaça pulmonar, uma música nostálgica qualquer e recordações. Há talvez de ser sempre assim, mas não me importo. Com o ontem, o hoje, o amanhã, comigo, com ninguém. Uma simples canção resume: Death is certain, life is not. Todavia, no fundo, eu apenas consiga pensar em Wish you were here.
sábado, 21 de setembro de 2013
E eu vou fingir.
Eu vou mascarar, eu vou mentir. Vou mentir a mim e a todos.
Fumar mais um cigarro, tomar mais um porre, repetir "Scorpions & Drought" pela milionésima vez, me anestesiar de todas as maneiras jamais imaginadas. Me distrair enquanto me jogo nos braços de mais uma desconhecida, numa outra noite qualquer, até esquecer tudo. Até esquecer que era em teu seio que outrora encontrava meu acalento.
Eu deveria pensar, eu deveria me permitir sentir, viver e deixar viver. Mas eu não, eu prefiro me dopar. Me drogar de uma falsa realidade que criei, para fingir que está sempre tudo bem, que não há nada de errado; Que por trás de meu ébrio sorriso não há um pranto silencioso que ecoa dentro de minha cabeça, rasga minha carne e dilacera meu coração; que eu não me importo, que eu quero que tudo se foda, que vá tudo para os infernos; tentar acreditar em minhas próprias mentiras. Afinal, o que é a mentira, se não o unificador dos povos, a raíz da existência humana? Não é o fingimento a miragem do oásis naquele deserto sem vida e infestado de escorpiões chamado amor?
Fumar mais um cigarro, tomar mais um porre, repetir "Scorpions & Drought" pela milionésima vez, me anestesiar de todas as maneiras jamais imaginadas. Me distrair enquanto me jogo nos braços de mais uma desconhecida, numa outra noite qualquer, até esquecer tudo. Até esquecer que era em teu seio que outrora encontrava meu acalento.
Eu deveria pensar, eu deveria me permitir sentir, viver e deixar viver. Mas eu não, eu prefiro me dopar. Me drogar de uma falsa realidade que criei, para fingir que está sempre tudo bem, que não há nada de errado; Que por trás de meu ébrio sorriso não há um pranto silencioso que ecoa dentro de minha cabeça, rasga minha carne e dilacera meu coração; que eu não me importo, que eu quero que tudo se foda, que vá tudo para os infernos; tentar acreditar em minhas próprias mentiras. Afinal, o que é a mentira, se não o unificador dos povos, a raíz da existência humana? Não é o fingimento a miragem do oásis naquele deserto sem vida e infestado de escorpiões chamado amor?
sábado, 22 de junho de 2013
Sem Bossa Nova
Eu lhe escreveria uma bossa ou um samba. Mas não é esta a minha praia. Não é o Chico Buarque, não é Adoniran, não é Cartola. É a guitarra elétrica distorcida, o tremolo, o blast beat, é isso que quero escutar. É o rasgado lírico, a poesia obscura, o sentimento em trevas.
Mas, por ti, posso amenizar a mim mesmo. Posso lhe fazer mil juras de amor com Pink Floyd ou Led Zeppelin. Afinal, quantas vezes minha vida não foi e é Wish You Were Here quando penso na minha garota com amor nos olhos e flores sobre os cabelos? Ou quem sabe Beatles, quando tudo o que eu preciso é amor? O teu amor. Poderíamos fazer amor mil vezes ao dia, enquanto me hipnotiza lentamente até que eu não possa mais crer em meus olhos, sentindo teu toque de maldade com o Judas Priest ao fundo. Mas não importa. Agora, tudo o que eu quero contigo é desperdiçar amor com Iron Maiden e lhe dizer que o futuro nunca morre com Scorpions.
Mas, por ti, posso amenizar a mim mesmo. Posso lhe fazer mil juras de amor com Pink Floyd ou Led Zeppelin. Afinal, quantas vezes minha vida não foi e é Wish You Were Here quando penso na minha garota com amor nos olhos e flores sobre os cabelos? Ou quem sabe Beatles, quando tudo o que eu preciso é amor? O teu amor. Poderíamos fazer amor mil vezes ao dia, enquanto me hipnotiza lentamente até que eu não possa mais crer em meus olhos, sentindo teu toque de maldade com o Judas Priest ao fundo. Mas não importa. Agora, tudo o que eu quero contigo é desperdiçar amor com Iron Maiden e lhe dizer que o futuro nunca morre com Scorpions.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Amor eu tenho de sobra; adoraria pô-lo numa caixinha embrulhada para presente, com seu nome num cartão. Mas é difícil, eu não sei como fazê-lo. Ele já é teu, mas não percebesse ainda, talvez não tenha deixado transparecer... queria apenas que compreendesse que, por mais frio que eu tenha parecido, meu coração sempre se manteve contigo. Em tuas mãos e cabelos. Acalentado em teu seio, ainda que num silêncio cadavérico.
Ah, o amor...
domingo, 9 de junho de 2013
Para onde foi Mefistófeles?
Hoje eu só queria estar chapado, anestesiado; só queria escapar de tudo. Já faz tempo, a vida parece-me não tão próspera quanto podia ser outrora. Tudo parece cada dia mais pesado.
Adoraria experimentar a tudo, como um Fausto. Mas onde está meu Mefistófeles? Onde está aquela figura elegante, culta e poderosa que levar-me-ia ao ápice do experimentalismo? Onde está esta criatura inconsequente? Estaria nos recônditos de meu coração? Estaria ele vagando por entre os colossais abismos de minha mente?
Às vezes gostaria de poder no tempo retroceder. Retornar ao ponto onde tudo parecia mais fácil. Um momento, talvez, imaginário, fantasioso. O pouco de razão em meu âmago jamais foi capaz de deixar-me absolutamente em paz. Agora, sobretudo, esta persona excêntrica, desprovida de objetivos, gélida e austera que hoje faz-se a mim comum parece ter mutilado, assassinado um outro eu, deixando apenas uma fagulha esquecida daquilo que poderia trazer de volta a cornucópia de cores e sensações que às outras pessoas parece tão usual, mas que a meu ser, não passa de um devaneio qualquer, intangível e até insensato.
Mas como todo e qualquer ser que ao demônio sua alma entrega, eis-me aqui, desfrutando, agora, apenas a danação. A danação do conhecimento; a danação da existência e de todos os males possivelmente a ela associados, ainda que a recompensa deste pacto sequer me tenha sido entregue. De maneira inexorável, sem perdão, sem indulgência. A última centelha antes do retorno àquele vácuo de onde nunca deveríamos ter saído.
Sem mais, Mors omnia solvit.
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Sem título
"Eu caminhei até um rio e, sentado [à sua margem], refleti sobre o que há de ser feito.
Uma oferenda carmesim fluiu adentrando as águas abaixo, uma chaga do espírito que flutuou e desapareceu... como toda esperança e sonho que outrora mantive, ela foi-se embora num anseio — um anseio de um mundo melhor — e em direção ao mar flutuou."
—Agalloch.
domingo, 2 de junho de 2013
Nós somos melhores mortos
"O que fizemos, nossas experiências e memórias passadas estão gravadas em nossas peles, como cicatrizes de um sofrimento interno. Não mais somos que destroços vazios, de existência fútil e desamparada. Somos melhores mortos!".
sexta-feira, 24 de maio de 2013
"Olhe em meus olhos, percorra pelos meus caminhos/ e veja porque sou desta maneira./ Veja sua vida começar a se desfazer,/ veja sua vida começar a decair./ Esta floresta, outrora fora cheia de vida,/ até que chamas começaram a acender-se.../ veja tudo ser destruído./ O que era belo, tornou-se desprezível./ Este é meu mundo, e dele não posso escapar..../ Não importa quão alto eu grite,/ não importa o quanto suplique,/ meus lamentos/ hão sempre de cair em ouvidos surdos./ E então, enquanto através de meus olhos vislumbra,/ você pode começar a compreender porque sou deste jeito./ Ninguém pode salvar-me,/ minha destruição já começou."
—Happy Days, Broken. 2012, "Cause of Death: Life".
quarta-feira, 8 de maio de 2013
"E onde quer que eu vá...
...este pedacinho de casa continua trazendo-me de volta a ti.
Estendo-lhe as mãos, através de montanhas, mares e céu. Eu reflito sobre tudo aquilo pelo que lutas, e a esperança nunca há de morrer.
Então, erga teu coração, pois os bravos sempre vão adiante. Enquanto distantes estivermos um do outro, ergueremos o vermelho, branco e azul.
Agora, estou retornando ao lar novamente. Retornando ao lar por ti. E, enquanto viajava, este pedacinho de casa a ti trouxe-me de volta."
terça-feira, 7 de maio de 2013
Daily Quotes: "Sketches of Reality"
"Esboços da realidade que com o original nunca batem...
Completo as lacunas ao prever seu conteúdo incompleto, imperfeito, falível.
Palavras não são suficientes para descrever a imagem, para entregar a mensagem quando as rochas da construção estão a esfacelar-se e os muros estão a desabar.
Como podemos nós erigir monumento ou mesmo sonhar construir um palácio? Que estrada pode ser encontrada usando-se de mapas vazios? Que verdade pode ser estabelecida utilizando-se de ferramentas quebradas? Que respostas podem aparecer pela direção cega?
As imagens permanecerão meros rascunhos, representações incompletas da realidade enquanto, a passos cambaleantes, tentamos subir as escadarias, na espera de obter o vislumbre de um sonho."
— Nae'Blis. Sketches of Reality, 2007.
"Kom død, kjære død"
No desfecho de tudo, talvez só queira uma resposta. Resposta que talvez há de vir apenas após o derradeiro suspiro. "Venha morte, querida morte!/ Dê-me as respostas a todos os questionamentos;/ entregue-me a chave/ que a todas as portas do mundo destranca/ e a todos os nós do mundo desata". Talvez tenha sido isso que quis dizer Varg ao escrever Valen. E, mais do que nunca, talvez esteja ele certo, afinal, não?
domingo, 5 de maio de 2013
A verdade...
...é que o teu passado, teus problemas psicológicos, teus anseios e teu desejo não são desculpas para certos erros. Na realidade, o erro só é aceito quando não se tem conhecimento do que é o certo a se fazer. Quando se sabe, torna-se burrice, ignorância. Errar é humano, sim. Mas isso jamais será uma justificativa sensata para errar quando já se sabe dos resultados adiante.
"A vida...
nós somos as chagas, a grande e gélida morte da Terra. Escuridão e silêncio, as luzes hão de se apagar."
Não à toa é essa a canção impressa como subtítulo.
Sem título
Tragicômico é você se sentir um vidente: prever a merda acontecer e ver que estava sempre certo.
Espero que teu egocentrismo lhe afogue, agora tanto faz. Aquele sentimento afável, de querer sempre o bem já passou. Agora, meu amor não lhe pertence; à alguém superior pertence agora meu coração. Isso por si só já me faz extremamente feliz.
Espero que teu egocentrismo lhe afogue, agora tanto faz. Aquele sentimento afável, de querer sempre o bem já passou. Agora, meu amor não lhe pertence; à alguém superior pertence agora meu coração. Isso por si só já me faz extremamente feliz.
sábado, 4 de maio de 2013
Sem título
Hoje o dia foi só meu, como será também o amanhã e o depois.
Há tempos já não sabia o que de fato significava ter a mim um dia. Aprofundar-me em meu próprio mundo, cheio de qualidades e defeitos, erros e acertos.
Conhecer novas pessoas, lugares. Também filmes, músicas, artistas, bebidas, (por que não?) e outras coisas que há muito já não apreciava com o mesmo paladar de outrora.
Agora, ligo um filme. "O Exorcista", de William Peter Blatty, é claro, para recordar-me dos bons tempos puerícios na casa dos amigos, onde éramos experts em filmes de horror para assustar as garotas, abraçá-las e levá-las 'para o canto'. Não pode, também, faltar uma boa cerveja, alguns cigarros e uma xícara bem grande de café requentado, adocicado, quase como mel. E seguida, um livro. Preferencialmente "O Cordeiro", de Christopher Moore ou "Crepúsculo dos Ídolos", do bigodudo Friedrich Nietzsche, e "cair nos braços de Morfeu", adentrando meus mais profundos sonhos bons, onde jazem todos os meus maiores anseios.
Repito: hoje o dia foi meu; e o será amanhã, depois e depois. E disso ninguém jamais abster-me-á.
"I throw myself into the sea/ release the wave, let it wash over me."
Há tempos já não sabia o que de fato significava ter a mim um dia. Aprofundar-me em meu próprio mundo, cheio de qualidades e defeitos, erros e acertos.
Conhecer novas pessoas, lugares. Também filmes, músicas, artistas, bebidas, (por que não?) e outras coisas que há muito já não apreciava com o mesmo paladar de outrora.
Agora, ligo um filme. "O Exorcista", de William Peter Blatty, é claro, para recordar-me dos bons tempos puerícios na casa dos amigos, onde éramos experts em filmes de horror para assustar as garotas, abraçá-las e levá-las 'para o canto'. Não pode, também, faltar uma boa cerveja, alguns cigarros e uma xícara bem grande de café requentado, adocicado, quase como mel. E seguida, um livro. Preferencialmente "O Cordeiro", de Christopher Moore ou "Crepúsculo dos Ídolos", do bigodudo Friedrich Nietzsche, e "cair nos braços de Morfeu", adentrando meus mais profundos sonhos bons, onde jazem todos os meus maiores anseios.
Repito: hoje o dia foi meu; e o será amanhã, depois e depois. E disso ninguém jamais abster-me-á.
"I throw myself into the sea/ release the wave, let it wash over me."
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Nota de falecimento: Jeff Hanneman
É, parte hoje mais um ídolo.
Acabo de chegar em casa, ligo o computador, e a primeira notícia que parece explodir como uma hecatombe em minha tela, é a do falecimento do instrumentista Jeff Hanneman, guitarrista do monstro do thrash metal californiano, o Slayer.
Sequer alongarei este escrito: poucas palavras bastam. Afinal, o legado que deixa Jeff a nós é algo impressionante. Basta ouvir o primeiro disco do Slayer, Show no Mercy, de 1985, para se ter uma idéia do talento desse cara que, hoje, certamente deixará saudades.
Não sou o maior apreciador do mundo de homenagens post mortem, até por motivos bem evidentes. Mas, como é esse um caso à parte, deixarei os meus reconhecimentos. Afinal, também fui eu um daqueles jovens esquisitos do colegial que cresceu com o Slayer em sua trilha sonora.
Descanse em paz, Jeff!
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Aurora
É chegada a alva. E com ela, novos anseios, novos horizontes, novos amores.
Em grande parcela desapareceram-se meus temores. Desapareceram em tuas longas madeixas de cor carmesim; em tua pele branca como a neve; em teu corpo de glória reluzente como uma supernova, que a todo o meu espírito cativa e que ao meu coração parece arrancar com um único abraço, num simples toque de lábios; em teu olhar penetrante, que parece devorar-me por inteiro, como faz um buraco negro, com uma simples fitada ao fim de uma tarde qualquer, transformada num vislumbre de um sonho por tua ilustre presença.
Permito-me agora a mim mesmo perder em teus caminhos. Em meio a diálogos intermináveis que fogem aos limites do imaginável, tão agradáveis e envolventes que por vezes parece fazer-me recordar que algumas vezes ainda vale a pena tentar, que o famigerado homo sapiens talvez digno ainda seja de indulgência.
Ao fim da noite, abraço-a. E, neste exato momento, desejaria ver cessar o tempo-espaço. Que me importaria o Caos inicial? Que me importaria o resto se eternamente pudesse estar envolvido em teus braços, sentindo teu cheiro de ameixas brancas enquanto em teus lábios entrelaço os meus, numa sinergia até então jamais vista?
"Yeah, you shook me all night long!".
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Do Derradeiro Desfecho
—"Quando a gente conversa
contando casos, besteiras,
tanta coisa em comum, deixando escapar segredos..."
Lembra-se disto?
Os ponteiros do relógio dobram-se rapidamente. Já são quase cinco. Permaneço acordado. Um cigarro, uma xícara de café e profundos mergulhos em mim mesmo.
Vejo-me ainda atormentado por tuas memórias, e mais: pelas minhas próprias recordações. O pesar parece sempre reincidente, cíclico, contínuo; permanece ecoando nos abismos de meu coração.
Todavia, já não és mais a dileta. Razão, talvez de meus prantos silenciosos; de meu choro interno.
Por vezes, busquei em outros corpos o prazer. E consegui — apenas isso e nada mais. O gozo temporário, parcial, carnal, paliativo, fútil e ignóbil, completamente distinto do prazer duradouro que outrora fora a tua presença, o teu prazer, a tua intimidade.
É impossível, claro, negar a mim mesmo o martírio que é tua ausência. Entretanto, nada mais importa-me agora; não és mais a minha razão sine qua non. Até não muito tempo, ofuscado foi meu amor por todo o ódio, por toda a mágoa que no cerne de meu espírito ardia. De maneira infeliz, esse sentimento ridículo, egoísta, irracional e imbecil que é o amor ainda me consome a ponto de prevalecer, de fazer-me odiar o meu próprio ódio por ti, a minha aversão pela persona desprezível e ignóbil que insistisse em tornar-te.
Assim escrevo, então, estas últimas palavras forjadas a marteladas e brasa quente. E, numa nota de rodapé invisível, num vocífero silencioso, deixo registrado: este é o fim; é este o crepúsculo de meu amor. Minha derradeira palavra antes de encerrar esta obra repleta de erros. E embora seja meu último registro, não é meu último cair de noite, e sim uma nova aurora: a alvorada, quem sabe, de um novo conhecimento, de um novo amor, de uma nova experiência, de um novo espetáculo. Espetáculo esse do qual jamais serás novamente parte do elenco. "Ainda é cedo, amor...".
Engraçado como outrora um artista tão banal acendeu a nossa centelha. Mais engraçado ainda ser ele, consequentemente, o representante máximo de nosso desfecho. Desta forma, então, encerrarei:
—"A emoção acabou,
que coincidência é o amor.
A nossa música nunca mais tocou...".
segunda-feira, 25 de março de 2013
Em Meus Sonhos...
Hoje tive um sonho incomum. Sonhei que encontrava-me perdido num grande vale — era um vale bonito, porém cinzento. Este lugar não tinha cores, tampouco qualquer tipo de som ou barulho... Minha cabeça doía, dela fluía uma nascente de cor carmesim. Mas a dor não provinha desta chaga; a dor vinha de minhas lembranças. Mais especificamente das tuas lembranças, que à minha mente atordoavam.
Então, tu aparecia no horizonte numa forma espectral, distante mais à frente. Eu caminhava em tua direção, mas a cada passo dado, tua imagem se afastava um pouco mais, de forma que eu nunca poderia alcançá-la. Ao seguí-la, eu buscava fugir daquele lugar sombrio, desolado, melancólico. A cada pedra que via, a cada folha seca, a cada sinal de morte, era a tua presença que estava registrada.
Continuei, então, a segui-la. Eis que então me encontrei num jardim. Nele, algumas poucas pessoas apareciam de pé, com seus rostos desfigurados ao redor de uma placa de mármore. Estampado na placa, os dizeres: "Ubi Saeva Indignatio/ Ulterius/ Cor Lacerare Nequit*. Eternamente frio e só jaz agora, vítima de seus próprios fantasmas e morto por suas próprias mãos."
E assim, acordei. O coração acelerado, em chamas... e ainda partido. A dor parece jamais cessar. Penso uma vez mais em dizer o que sinto, os meus anseios, mas é cedo ainda, o dia mal começou e a ti o que sinto é irrelevante. Talvez um dia este sentimento se extinga. Muito provavelmente, logo, quando, então, por minhas próprias mãos a morte chegar.
____
*"Ele foi para onde a indignação feroz não mais pode lacerar seu coração".
Esta é também uma referência ao epitáfio de Jonathan Swift, autor de "As Viagens de Gulliver".
Então, tu aparecia no horizonte numa forma espectral, distante mais à frente. Eu caminhava em tua direção, mas a cada passo dado, tua imagem se afastava um pouco mais, de forma que eu nunca poderia alcançá-la. Ao seguí-la, eu buscava fugir daquele lugar sombrio, desolado, melancólico. A cada pedra que via, a cada folha seca, a cada sinal de morte, era a tua presença que estava registrada.
Continuei, então, a segui-la. Eis que então me encontrei num jardim. Nele, algumas poucas pessoas apareciam de pé, com seus rostos desfigurados ao redor de uma placa de mármore. Estampado na placa, os dizeres: "Ubi Saeva Indignatio/ Ulterius/ Cor Lacerare Nequit*. Eternamente frio e só jaz agora, vítima de seus próprios fantasmas e morto por suas próprias mãos."
E assim, acordei. O coração acelerado, em chamas... e ainda partido. A dor parece jamais cessar. Penso uma vez mais em dizer o que sinto, os meus anseios, mas é cedo ainda, o dia mal começou e a ti o que sinto é irrelevante. Talvez um dia este sentimento se extinga. Muito provavelmente, logo, quando, então, por minhas próprias mãos a morte chegar.
____
*"Ele foi para onde a indignação feroz não mais pode lacerar seu coração".
Esta é também uma referência ao epitáfio de Jonathan Swift, autor de "As Viagens de Gulliver".
sexta-feira, 8 de março de 2013
Da Exaustão e Chagas Existenciais
Numa madrugada qualquer, acendo um cigarro e sigo até a
varanda. Observo o lento e cálido alvorecer e, perdido entre o tempo que se esvai,
flutuam minhas reflexões. Uma música fúnebre é audível; uma mistura entre a
música do ambiente e a sinfonia da morte que se aproxima.
Os ventos trazem a brisa gélida. O coração parece querer
cessar o pulso. Dou um trago, e com a fumaça exalada dos pulmões, a alegria, as
cores da vida parecem também partir.
Olho para o horizonte e recordo meus passos: os caminhos que
trilhei; as expectativas que mantive, as esperanças… todas elas desaparecem no
espaço vazio, como se outrora jamais houvessem existido. Os amigos que fiz, os
amores, a vontade de viver, tudo… tudo parece não mais que ilusório, um esboço malfeito
daquilo que um dia ousei ansiar.
Vejo-me, agora, sob outra perspectiva: a perspectiva inferior,
a perspectiva do negativo de um retrato. Já não mais mantenho qualquer
expectativa. Parece-me a morte já tão comum… talvez até um meio, uma solução.
Em vias de fato, sinto-me por vezes um covarde, incapaz. Covarde por não manter
a coragem ao ponto de simplesmente finalizar esta medíocre existência da
maneira mais fácil; incapaz por não poder parar o meu próprio tormento. O medo
da morte toma-me ainda de assalto.
Em outros tempos, o ópio parecer-me-ia um inimigo mortal. Hoje,
faz-se, talvez, meu melhor amigo — minha passagem para o fim, meu amargo,
desesperado e acovardado ponto final, sem precisar enfrentar os provocantes olhos do Ceifador.
Destruir-me lentamente ainda parece um meio mais rápido de chegar ao fim, sem
aguardar ansiosamente aquilo que à todos é comum.
Estou longe, agora, daquele tão buscado Übermensch que tanto desejei alcançar. Sou agora apenas os restos , os fragmentos espalhados pelo chão, cujas chagas jamais hão de se extinguir. Um resquício que tão logo será coberto pelas areias do tempo.
Estou longe, agora, daquele tão buscado Übermensch que tanto desejei alcançar. Sou agora apenas os restos , os fragmentos espalhados pelo chão, cujas chagas jamais hão de se extinguir. Um resquício que tão logo será coberto pelas areias do tempo.
Sinto-me só… mas não é a ausência de pessoas, lugares ou vivências.
Para ser exato, sequer saberia explicar minha solidão. Tampouco depressão, uma
patologia. Sinto-me um hiperbóreo de minha própria vida.
Tudo tenho e ao mesmo tempo nada disso é meu; deveria sentir-me feliz, mas a felicidade já não me basta. Parece-me a felicidade mais uma característica dos pobres de espírito, dos ignorantes, da turba.
Abro a porta, retorno ao meu quarto tão sombrio, negro e
desfalecido como estará em breve meu coração. Continuo preso a essa cornucópia
de pensamentos. A marcha fúnebre da vida começou. Anjos e demônios vêm ao meu encontro. Então deito em meu leito,
reflito novamente, escrevo estas inúteis palavras e aguardo o sono. Esperando, assim,
que seja este o eterno adormecer de minh’alma; esperando sentir, então, o doce
abraço do Fim.
Assinar:
Postagens (Atom)










