sexta-feira, 11 de outubro de 2013

E eu odeio...

          Odeio quando preciso despedir-me de ti, ainda que saiba que no dia seguinte haverei de ver-te uma vez mais. Eu odeio ver as horas passarem mais rápidas que a luz a se propagar no vácuo quando de mim estás próxima. Odeio ver-te em prantos por razões que deveriam ser de fácil resolução, mas que infelizmente às minhas mãos deixam atadas de forma a sentir minha impotência perante o que lhe aflige. Odeio ver minhas noites se alegrarem intensa e inexoravelmente por um tempo tão precioso, contudo tão curto. Odeio aguardar em frenesi para novamente ouvir tua voz enquanto discutimos música, religião, filosoia e qualquer outra coisa que em nossos percalços sempre esparra, como se tudo conspirasse para que essa flâmula jamais se ofuscasse, enquanto lhe espezinho por teus gostos agradável e vergonhosamente semelhantes aos meus.
          Eu odeio... odeio... odeio, repudio, detesto.
          Mas hoje a noite há de ser, como sempre, nossa, só nossa. E eu hei de regozijar-me uma vez mais por tua companhia que a mim se faz tão dileta, por conseguir, ao menos um pouco, alguém que veja a existência do mesmo lugar que eu: a visão distante, ignorantemente racional de quem parece não pertencer a este mundo; uma visão vinda do alto.
          E embora venha rapidamente a se esvairem as horas, são tuas palavras que haverei de guardar comigo enquanto em meu leito repouso; é do teu ébrio sorriso que haverei de recordar antes de finalmente adormecer; é teu abraço forte e acalentador que me acalmará pelo resto de madrugada que me resta enquanto bebo mais um gole e fumo outro cigarro, com os mais afáveis pensamentos em ti e em tua graciosa estranheza, despertados por teu toque e teu cheiro em minhas vestes estampados, fazendo de todo esse ódio um bizarro e entorpecedor prazer.
          De fato, talvez essa tua loucura seja realmente semelhante à minha...

Nenhum comentário:

Postar um comentário