Está acontecendo de novo... mãos trêmulas, suando; boca seca, coração acelerado, inquietude sem razão; saudades daquilo que pode vir a ser, do futuro...
O que acontece, finjo a mim mesmo não saber, deixo sempre o mistério a me guiar. Prefiro enfiar goela abaixo apenas uma realidade criada e desestruturada, as coisas são sempre mais fáceis assim.
De qualquer maneira eu sonho; vamos sair, vamos beber juntos e, inebriados, cantar "Vila do Sossego", como frenquentemente fazemos às tardes. E se a brisa do amanhã for favorável, seremos nós, vendo as areias do tempo fluirem, juntos, você e eu. Eu em meu carinhoso escárnio a escrever "loser manos" para que ria e me ache um bobo, ouvindo teu olhar a me dizer coisas incríveis; você, tirando sarro dos meus trejeitos hostis e da minha austeridade intelectual; nós, rindo feito infantes no albor da inocência até o fim dos tempos.
"E a este sentimento, a este atroz recontro
Nomes procuro dar, nenhum jamais encontro.
Através deste mundo arrojo meus sentidos
E me apego a alguns termos altos, escolhidos;
Neste fogo intenso em que tanto me inflamo,
de Infinito, de Eterno e Sempiterno chamo.
Seria isso uma farsa, infernal, idiota?".¹
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¹GOETHE, Johann Wolfgang von. Fausto.
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