Há uma translação terrestre lhe tenho a envoltar minha enfadonha existência; mas à medida cósmica que nos distancia do mais próximo dos exoplanetas corresponde minha afeição a ti dirigida.
Péssimo sou em dedicatórias ou demonstrações afetivas, sabes tu não ser este o maior dos pouquíssimos de meus fortes. Mas, se há algo que não posso me furtar a aproveitar é a oportunidade de direcionar intelectual sentimentalmente esta obra.
Péssimo sou em dedicatórias ou demonstrações afetivas, sabes tu não ser este o maior dos pouquíssimos de meus fortes. Mas, se há algo que não posso me furtar a aproveitar é a oportunidade de direcionar intelectual sentimentalmente esta obra.
Parecer-lhe-á — como ao meu jugo pareceu, outrora — um simples livro infantil, de coloridas formas e figuras; de linguagem simples e até de poucas páginas. Contudo há, nesta breve estória, uma mistura de elementos que compõem todo aquele sentimento pueril que muitos costumam abandonar frente ao "homem sério", ao humano dedicado às coisas da "vida" - embora esta "vida" seja, a muitos, mera existência, onde faz-se mister o emprego de uma maturidade plástica, calcada em terra fofa — a que todos, por simples pressão cotidiana, almejam alcançar. Peço que leia com o máximo de calma possível, no teu tempo e que, após fazê-lo, refestele-se em tuas reflexões e as mude, se lhe for cabível. Não quero com isto, é claro, lhe parecer o teu Mefistófeles, o diabo disforme e rebelde que à iconoclastia entrega Fausto e quase o leva a tragédia. Mas talvez uma tragédia, uma ruína psicossentimental (sic) seja a fagulha inicial de uma explosão colossal de novos universos a futuramente lhe rodear, como o foi a este que vos escreve.
Desta maneira, entrego-lhe esta obra. Afinal, em meio a toda esta amálgama de mundos e conceitos novos ao qual você, que a este livro recebe, me apresentou, espero também retribuir-lhe com os meus horizontes, com o pouco que talvez lhe tenha a oferecer. Deixo aqui registrado então o que talvez venha a ser a quintessência deste escrito de Antoine Saint-Exúpery e que, creio eu, calha como o mais significativo ensinamento sobre tudo o que nas palavras que lhe disse acima possa haver para encerrar esta breve dedicatória mal escrita:
"— [...] Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
— O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
— Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
— Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
— Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável
pela rosa...".
"— [...] Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
— O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
— Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
— Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
— Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável
pela rosa...".

