domingo, 13 de outubro de 2013

Da puerícia, do anseio, do amor

Eu poderia escrever linhas e mais linhas e talvez jamais conseguisse descrever em uma totalidade fiel o que em meu cerne parece vociferar de maneira cortante, rasgando meu peito. Mas não, eu não consigo. Sinto-me um adolescente espinhento, bobo e inexperiente que conhece o primeiro amor.
É tudo tão familiar, porém tão estranho e de uma intensidade que jamais ousei conhecer... o que faz a mim tua companhia? O que há de especial nestes olhos que parecem me absorver, me tragar, me digerir vorazmente sem deixar-me nada quando mesmo que rapidamente fitas-me tão implacavelmente?
Ouço tua voz e ela soa como uma peça inteira de Richard Strauss resumida em apenas alguns poucos segundos ao qual dedicas-te a falar em função de tua personalidade inexoravelmente reservada, sóbria e breve.
Em tua presença sinto-me sempre como o camundongo enfeitiçado pelas mais belas notas que Hamelin jamais conseguira tocar... é como prestar os ouvidos a um bardo enquanto o mesmo recita algum conto antiquíssimo e misterioso — um mistério teu sui generis que ferozmente incitas-me a desvendar.
De algum modo, conseguiste resgatar em mim uma sensação tão abstrata e positivamente pueril que agora me comparo a um mero adolescente mesmo quando não estás por perto: em minha casa, fico contando os minutos para vê-la dar o ar de tua graça e um sorriso sincero e natural emerge em minha face, sem que sequer haja um motivo explanável; refestelo-me em mil pensamentos e todos eles hora ou outra inevitavelmente hão de retornar à tua figura, como se não houvesse outro mundo a desbravar que não o teu; lhe abraço e meu coração acelera e eu desejo nunca mais soltar-lhe, pois teu abraço ajusta-se perfeitamente ao meu, como num entrelaçamento de almas.
Adentraste meu mundo como ninguém jamais ousou ou conseguiu fazê-lo. Tua beleza, tua voz e toda a tua essência removem todos os meus medos, minhas frustrações e a todos os meus anseios revela. Tuas palavras me inspiram como se eu houvesse descoberto a quintessência da arte, da poesia e da filosofia, a panacéia do amor que a todas as chagas cura, a todas as cicatrizes faz desaparecer e dá longevidade a este sentimento tão puro e terno.
Às vezes quero em me enganar, deixar para lá, mascarar tudo como se nada houvesse em meu coração. Mas já não o consigo, esta é uma via de mão única e que não há retorno. E eu espero, daqui em diante, alcançar o meu destino. Aquele sentimento sincero, aquele laço inquebrantável a que chamam amor; uma existência regada a Black Sabbath e Los Hermanos, lembra? Ou, quem sabe, uma simples noite, deitados e abraçados noite à dentro, observando o vindouro alvorecer após sucumbirmos àqueles desejos que, sabemos, ocultam-se nos recônditos de nosso espírito e que nos torna eternamente escravos por opção.
Só peço-lhe, então, que venha comigo. Em troca, quero apenas a tua beleza, a tua presença e o teu amor. O resto, com maestria damos conta...

Nenhum comentário:

Postar um comentário