É chegada a alva. E com ela, novos anseios, novos horizontes, novos amores.
Em grande parcela desapareceram-se meus temores. Desapareceram em tuas longas madeixas de cor carmesim; em tua pele branca como a neve; em teu corpo de glória reluzente como uma supernova, que a todo o meu espírito cativa e que ao meu coração parece arrancar com um único abraço, num simples toque de lábios; em teu olhar penetrante, que parece devorar-me por inteiro, como faz um buraco negro, com uma simples fitada ao fim de uma tarde qualquer, transformada num vislumbre de um sonho por tua ilustre presença.
Permito-me agora a mim mesmo perder em teus caminhos. Em meio a diálogos intermináveis que fogem aos limites do imaginável, tão agradáveis e envolventes que por vezes parece fazer-me recordar que algumas vezes ainda vale a pena tentar, que o famigerado homo sapiens talvez digno ainda seja de indulgência.
Ao fim da noite, abraço-a. E, neste exato momento, desejaria ver cessar o tempo-espaço. Que me importaria o Caos inicial? Que me importaria o resto se eternamente pudesse estar envolvido em teus braços, sentindo teu cheiro de ameixas brancas enquanto em teus lábios entrelaço os meus, numa sinergia até então jamais vista?
"Yeah, you shook me all night long!".

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