segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Ode ao dia que não se encerra


Os dias tornaram-se densos, pesados... um fardo a suportar; os pensamentos mais negros que a própria escuridão. Todo o verde torna-se cinza. Seus demônios lhe assombram como nunca o fizeram outrora. Eles gargalham enquanto dançam e rodopiam e as vozes deles ecoam em sua mente. 

Você liga uma música e deita-se. Enquanto isso, uma linha vocal inicia-se, unissonante à sua mente: "Why did I make two steps instead of one?/ Why am I not wanted to come back?". Mas ela já não canta 'da boca pra fora'...

Você sente o coração pulsar cada vez mais devagar; a respiração está ficando difícil; o clangor dos sinos da Morte parecem mais altos. Mesmo com tão pouco tempo, o crepúsculo da existência parece haver achegado-se.

Então, ao fim do dia, algo volta a colorir a existência. Por um momento, você volta a sorrir, sente uma fagulha de alegria que, a uma mente quase desfalecida, parece oferecer uma sensação quase incendiária, com tão pouco...
Mas no fim, como todas as coisas, tudo volta ao normal: a vida torna-se novamente apenas cinzas; a alegria torna-se novamente apenas um esboço incompleto da realidade. E uma vez mais, você encontra-se em seu quarto, afogado em uns poucos pensamentos inúteis. Sua única companhia é o ópio. Novamente, reflexões mórbidas tomam-no de assalto. Você contempla o ar claustrofóbico e rarefeito, as paredes brancas e um ambiente sem vida. Você olha em todos os cantos, seus delírios aumentam, e você sente uma mão a pesar em seu ombro. É uma mão pesada, mas amiga; parece convidá-lo a um beijo final. Então, você olha para aquele pedaço de metal, e eis que esse beijo silencioso lhe é concedido com um simples apertar de gatilho... 

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