A verdade dói. Mas ainda que
possa por vezes parecer um flagelo, ela é mais uma libertação do que um fardo. E nisso, houve
um autor que conseguia exprimir com extrema facilidade o que tento dizer: seu
nome era Friedrich Nietzsche.
Nietzsche nasceu em 1844, em
Röcken, na Alemanha, fruto de uma família Luterana. Diferente de grande parte
de seus contemporâneos, Nietzsche sempre foi à frente de seu tempo. Como ele
mesmo costumava suscitar em suas obras, ele era um autor posterior; um autor
para o depois de amanhã.
Seja por seu ardente amor não
correspondido à uma mulher (Lou Andreas
Salomé) ou pelo inferno causado pela sua ligação com sua irmã Elisabeth, o
alemão aprendeu, da pior — porém mais realista — forma a verdadeira natureza do que nós homens humanos, demasiado humanos, chamamos sentimentos. Principalmente, a relação
entre o amor, a compaixão, o egoísmo e a destruição. Muito provavelmente, a espinha dorsal de grande parte de sua obra seja resultado da união destas circunstâncias. E nisso, há um trecho em
seu Assim Falava Zaratustra que,
hoje, exprime também aquilo que penso sobre os maiores e mais poderosos dispositivos
de destruição jamais criados: o amor e a compaixão em demasia. E é com ela, que encerro a noite de hoje:
“Ai! Onde se cometeram mais loucuras do que entre os compassivos? E, na terra, o que mais fez sofrer do que as loucuras dos compassivos? Infelizes daqueles que amam sem deter controle de sua compaixão!Assim me falou o Diabo um dia: ‘Deus também tem o seu inferno. É o seu amor pelos homens. E recentemente, ouvi dele dizer estas palavras: ‘Deus morreu. Morreu de seu amor pelos homens”.(NIETZSCHE, Friedrich. Assim Falava Zaratustra: Um Livro para Todos e Para Ninguém, p.103. § Dos Compassivos. 2007, São Paulo, ed. Escala. Col. Grandes Obras do Pensamento Universal).

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