sábado, 29 de dezembro de 2012

Daily quotes #2


A verdade dói. Mas ainda que possa por vezes parecer um flagelo, ela é mais uma libertação do que um fardo. E nisso, houve um autor que conseguia exprimir com extrema facilidade o que tento dizer: seu nome era Friedrich Nietzsche.

Nietzsche nasceu em 1844, em Röcken, na Alemanha, fruto de uma família Luterana. Diferente de grande parte de seus contemporâneos, Nietzsche sempre foi à frente de seu tempo. Como ele mesmo costumava suscitar em suas obras, ele era um autor posterior; um autor para o depois de amanhã.

Seja por seu ardente amor não correspondido à uma mulher  (Lou Andreas Salomé) ou pelo inferno causado pela sua ligação com sua irmã Elisabeth, o alemão aprendeu, da pior — porém mais realista — forma a verdadeira natureza do que nós homens humanos, demasiado humanos, chamamos sentimentos.  Principalmente, a relação entre o amor, a compaixão, o egoísmo e a destruição. Muito provavelmente, a espinha dorsal de grande parte de sua obra seja resultado da união destas circunstâncias. E nisso, há um trecho em seu Assim Falava Zaratustra que, hoje, exprime também aquilo que penso sobre os maiores e mais poderosos dispositivos de destruição jamais criados: o amor e a compaixão em demasia. E é com ela, que encerro a noite de hoje:

“Ai! Onde se cometeram mais loucuras do que entre os compassivos? E, na terra, o que mais fez sofrer do que as loucuras dos compassivos? Infelizes daqueles que amam sem deter controle de sua compaixão!
Assim me falou o Diabo um dia: ‘Deus também tem o seu inferno. É o seu amor pelos homens. E recentemente, ouvi dele dizer estas palavras: ‘Deus morreu. Morreu de seu amor pelos homens”.

(NIETZSCHE, Friedrich. Assim Falava Zaratustra: Um Livro para Todos e Para Ninguém, p.103. § Dos Compassivos. 2007, São Paulo, ed. Escala. Col. Grandes Obras do Pensamento Universal).

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