Minha
cultura, minha literatura, meus gostos... tudo está banalizando-se. Outrora comprazia-me
de saber que construí a mim mesmo sem precisar embasar-me nas idéias de outrem; quão
satisfatório era saber que um dia fui livre dos dogmas e grilhões aos quais a
corrompida sociedade me compeliu.
Hoje, tudo parece-me tão superficial, tão clichê — transgredir virou moda. Antes, eu era um dos poucos a apreciar o estilo musical "X"; agora, parece que hoc genus omne de imbecis descerebrados passou a tentar imitar — sim, imitar, porque só há “gosto” quando há sinceridade. Outrora, a arte intrínseca e por vezes incógnita dos gêneros musicais e líricos que aprecio parecia dar nós-cegos nas mentes dos menos privilegiados intelectualmente, ou daqueles que preferiam utilizar-se de um cabresto intelectual; hoje, esses nós já não são suficientes para afastar esta corja de ignorantes de mim e daquilo que realmente amo como a mais pura expressão de meus próprios sentimentos. Meus entretenimentos e diversões, tudo, tudo caiu nas mãos da turba, e com isso, pareço eu também apenas mais uma gota na chuva.
Talvez
sequer seja sensato de minha parte incomodar-me com esse tipo de coisa. Afinal,
já não sou mais um mero garoto, a ponto de dar importância a algo que, a
terceiros, parece tão sem importância. Mas, é como o amor: ele é único, forte,
intenso; e por ele, mata-se e morre-se. De fato, é também uma forma de amor; amor
àquilo que no passado, não lhe conferiu forças, mas mostrou-lhe a que
intrinsecamente presente em você está.
Mas um dia meus pensamentos hão de ser novamente meus, porquanto essa gente pueril um dia abandonará a imutável verdade imposta pelos clichês do zeitgeist; e então, ver-se-ão aqueles que realmente moldaram-se a si próprios alheios às idéias de outrem. E os restos... ah!, os restos... ficarão à margem do rio da vida, pois o fracasso é característica sempre inerente àquele cuja mente ainda não aprendeu a se aventurar.
Mas um dia meus pensamentos hão de ser novamente meus, porquanto essa gente pueril um dia abandonará a imutável verdade imposta pelos clichês do zeitgeist; e então, ver-se-ão aqueles que realmente moldaram-se a si próprios alheios às idéias de outrem. E os restos... ah!, os restos... ficarão à margem do rio da vida, pois o fracasso é característica sempre inerente àquele cuja mente ainda não aprendeu a se aventurar.
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